Sonho da subida terminou de forma inesperada

Sonho da subida terminou de forma inesperada

Nada fazia prever este desfecho. O FC Vizela não conseguiu dar sequência à vantagem trazida de Vila Franca de Xira e viu esfumar-se o sonho da subida perante o seu público.

Cerca de 4000 espectadores acorreram ao estádio e criaram um ambiente fantástico, comparável apenas com determinados jogos de Primeira Liga.

Os vizelenses corresponderam em peso à convocatória e procuraram sempre ajudar a equipa a alcançar o apuramento, mesmo no período em que o resultado já era adverso.

Começou bem a formação de Carlos Cunha. Alguns pontapés de canto conquistados e um forte disparo de Zé Valente a rasar o travessão deram a ideia de que o FC Vizela pretendia resolver o assunto o quanto antes.

No entanto, ao minuto 19, o árbitro José Laranjeira fez “vista grossa” a uma falta evidente de Ragner sobre Weliton, que originou um rápido contragolpe em superioridade numérica por parte do Vilafranquense. Rui Varela, a passe de Luís Pinto, empatou a eliminatória.

Os vizelenses voltaram à carga e, na sequência de um canto, ficou a ideia de que Felipe Augusto foi empurrado por João Freitas na pequena área. O juiz da partida nada assinalou.

O maior ascendente continuou a pertencer ao FC Vizela, enquanto que o Vilafranquense, a jogar com as suas linhas mais baixas no terreno, apostou claramente no contra-ataque.

Zé Valente, aos 27’, rematou por cima da barra e, a dez minutos do intervalo, novo lance a originar protestos dentro e fora das quatro linhas. Livre batido por Diogo Lamelas sobre o lado direito, ao primeiro poste, onde estava João Oliveira, que pareceu ter sido tocado por Rui Varela.

A melhor ocasião do primeiro tempo pertenceu a Felipe Augusto (45’). Evrard foi à linha cruzar e o extremo brasileiro não acertou com a baliza por escassos centímetros.

O segundo tempo iniciou-se com a mesma tendência azul e branca. Mais construtivos no ataque, os vizelenses continuaram, porém, sem a eficácia desejada. Aos 57’, Correia cabeceou ao lado, após cruzamento de Amian.

Entretanto, já com João Paredes e Carlos Fortes em campo, esta dupla quase fabricou o empate no jogo e a devolução da eliminatória para o FC Vizela.

Grande arrancada do primeiro pelo lado esquerdo a cruzar para o coração da área, mas, nem Carlos Fortes, nem Zé Valente, conseguiram acertar em cheio no esférico.

Respondeu a formação ribatejana por intermédio de Luís Pinto (64’). O experiente jogador obrigou Rafa a grande defesa e, na recarga, David Moura atirou ao lado.

Aos 72’, o FC Vizela ficou novamente perto de marcar. Grande passe de Zé Valente a rasgar toda a defensiva contrária até encontrar Felipe Augusto e este a servir Carlos Fortes, que viu Carlos Fernandes efetuar uma enorme intervenção.

De resto, Felipe Augusto voltou a estar envolvido diretamente em mais uma prometedora jogada da equipa vizelense (76’). O seu remate saiu a rasar o poste.

Nesta fase, só dava FC Vizela. Até que, ao primeiro minuto do tempo de compensação, Zé Valente fez o chapéu a Carlos Fernandes, mas viu Tiago Cerveira tirar em cima da linha, salvando a sua equipa da eliminação.

O prolongamento só fez aumentar as palpitações e angústia de todos os presentes. Logo a abrir, Carlos Fortes viu ser-lhe anulado um golo por pretensa posição irregular.

A resposta chegou no minuto seguinte e… gelou as bancadas. Luquinhas rompeu pelo lado direito e atirou cruzado para o 2-0. Subitamente, a tarefa do FC Vizela tornou-se dificílima.

Ainda assim, o conjunto de Carlos Cunha nunca deixou de acreditar e lutar, contudo, a tarde mais parecia inclinada para o desacerto ofensivo. Aos 96’, João Paredes falhou o golo à boca da baliza e, aos 101’, João Oliveira atirou ao lado.

O relógio “cavalgou” rapidamente e o sonho terminou com o derradeiro apito, naquela que, ironicamente, foi uma das melhores épocas da história do clube.

As regras eram conhecidas e o formato injusto do campeonato também. Contudo, a tristeza ganha enorme dimensão quando uma equipa, que venceu 23 dos 32 jogos de campeonato, e que apenas sofreu duas (!) derrotas numa época inteira, se vê assim arredada do seu objetivo.

 

FICHA DE JOGO

Local: Estádio do FC Vizela (Vizela)

Árbitro: José Laranjeira (AF Aveiro)

Assistentes: Duarte Santos e Paulo Santos

4.º Árbitro: André Castro

FC VIZELA: Rafa; Diogo Lamelas (C), Weliton, João Cunha e Amian; Evrard, João Oliveira e André Pinto (Carlos Fortes, 58’); Zé Valente (Panin, 90’), Correia (João Paredes, 58’) e Felipe Augusto.

Suplentes não utilizados: Bruno Pinto, Gabi, Joni e Dani.

Treinador: Carlos Cunha

VILAFRANQUENSE: Carlos Fernandes; Rúben Freitas, Dénis Martins, João Freitas e Tiago Cerveira; Diogo Izata (Balú, 59’; Danny, 87’), David Moura (C) e Luís Pinto; Luquinhas, Rui Varela e Ragner (Jacinto, 82’).

Suplentes não utilizados: Rodrigo, Charles Monteiro, Mário Duarte e Bernardo Carlos.

Treinador: Vasco Matos

Golos: Rui Varela (19’) e Luquinhas (92’).

Cartões Amarelos: Tiago Cerveira (34’ e 120’), Diogo Izata (43’), David Moura (48’), Ragner (79’), Carlos Fernandes (111’), João Cunha (117’) e Luís Pinto (118’).

Cartão Vermelho: Tiago Cerveira (120’).