FC Vizela bem tentou derrubar a muralha…

FC Vizela bem tentou derrubar a muralha…

Em perspetiva estava naturalmente manter o registo triunfal em casa e a hipótese de fixar novo recorde de vitórias consecutivas no campeonato, porém, neste último domingo, o FC Vizela não conseguiu derrubar uma autêntica muralha oriunda de São Torcato.

A estratégia ultradefensiva do Torcatense, de resto, reconhecida pelo próprio treinador no final do jogo, vingou sobre as múltiplas tentativas de ataque dos vizelenses, sobretudo, no decorrer do segundo tempo, período no qual se fez sentir uma maior pressão junto da baliza de João Nuno.

Cedo se percebeu que a tarde dos pupilos de Rui Amorim não seria nada fácil. Numa equipa onde atuam alguns atletas que já envergaram o emblema da Rainha das Termas, duas linhas de quatro, bem definidas, com os extremos praticamente “colados” aos defesas-laterais, neutralizaram muito do jogo construído por Zé Valente e companhia.

Num dos poucos espaços concedidos, o remate de Zé Valente, após combinação entre Fall e Kuku, acabou por sair ligeiramente por cima do travessão, estavam cumpridos 10’.

O desafio processava-se apenas no meio-campo do adversário e o FC Vizela sentia dificuldades em fazer variar o centro de jogo, daí que, só aos 39’ se tenha vislumbrado algum perigo. Aconteceu no seguimento de um livre, com Zé Valente a levantar o esférico e Correia a cabecear ao lado.

Sobre o intervalo, Fall ganhou a dianteira a Agostinho, mas acabou por ser derrubado mesmo em cima da quina da área, originando novo livre perigoso. Desta vez, foi João Faria a cabecear sobre a barra, mas a bola não saiu longe do alvo.

No reatamento, o FC Vizela surgiu muito determinado em desfazer o nulo. Para isso, trouxe mais velocidade e tentou ludibriar as cerradas marcações com os movimentos imprevisíveis de Kuku e com a acutilância de Rafael Viegas, diversas vezes chamado a intervir no ataque.

Ora, seria aliás o jovem nigeriano a proporcionar um grande disparo à entrada da área, estavam cumpridos 53’. O esférico saiu a centímetros da trave.

Durante o primeiro quarto de hora, a pressão do FC Vizela foi muito forte e não restou à turma de São Torcato alternativa senão sacudir a bola de qualquer maneira. Exemplo disso, foram os 7 (!) pontapés de canto conquistados pelos vizelenses, só no referido período.

Também durante esta fase, aos 55’, Serginho, que já trazia um cartão amarelo da primeira parte, acabou “poupado” ao segundo, numa carga à margem das leis sobre Kaká.

Entretanto, Rui Amorim lançou Diaby, jogador tecnicamente dotado, na tentativa de “rasgar” toda aquela teia. Face à crescente pressão exercida pelos azuis e brancos, em vários momentos, o Torcatense passou a adotar uma linha mais recuada e vincada de 6 elementos, auxiliada por outra de 3, deixando apenas Pedro Rui ligeiramente adiantado.

No outro lado do campo, Cajó, em tarde de “folga” (o Torcatense não efetuou um único remate), assistiu à distância ao remate perigoso de João Oliveira e ao cabeceamento em esforço de Correia, ambos por cima da barra.

Aos 78’, nota para uma pretensa carga faltosa de Vieirinha sobre Kuku já no interior da área, que motivou os protestos do público presente. Ficou, de facto, a ideia de ter existido contacto.

Já com Leandro Souza e Panin em campo, o FC Vizela, de todas as maneiras, pela direita, pela esquerda, pelo centro, continuou em busca da “fórmula” para sair vencedor.

Na sequência de um canto, João Oliveira, ao primeiro poste, obrigou João Nuno a defesa difícil junto ao solo (86’), enquanto Panin, descaído sobre o lado esquerdo, armou o remate, mas o desfecho foi o mesmo com a bola a ir parar às mãos do guardião torcatense.

Durante o tempo de compensação de 5’, escasso para as interrupções motivadas pelo adversário, praticamente não se jogou futebol. O Torcatense jogou com o relógio, obrigou o juiz da partida a ir ao bolso mais umas vezes (ao todo foram 7 os amarelos à turma forasteira), e a verdade é que o jogo terminou a zeros, interrompendo-se assim o ciclo triunfal do FC Vizela.

Apesar do empate, o conjunto de Rui Amorim continua líder destacado da Série A e, no final do desafio, viu reconhecido o seu esforço com um forte aplauso da massa associativa.

No próximo domingo, dia 09, o espetáculo provavelmente será bem mais agradável para os adeptos, pois, pela frente, estarão duas equipas com as mesmas ambições no campeonato.

O jogo em Felgueiras, no mítico Municipal Dr. Machado de Matos, a poucos quilómetros da cidade termal, motivará certamente uma boa enchente e uma grande mobilização de vizelenses.

 

FICHA DE JOGO

FC Vizela 0-0 Torcatense

Árbitro: Carlos Pizarro (AF Braga)

Assistentes: Fernando Alves e Jorge Abreu

FC Vizela: Cajó; Rafael Viegas, João Faria, Aidara e Kaká; João Oliveira, Tarcísio (Leandro Souza, 74’), Zé Valente e Kuku (Panin, 82’); Correia (C) e Fall (Diaby, 66’).

Suplentes não utilizados: Rafa, André Soares, Igor Rocha e Leandro Borges.

Treinador: Rui Amorim

Torcatense: João Nuno; Vieirinha, Agostinho, Areias e Pedro Campos; Nené, Xavi (C) e Márcio Sousa (Ricardo Soares, 77’); Alberto (Mota, 89’), Jussane e Serginho (Pedro Rui, 62’).

Suplentes não utilizados: Parauta, Paulinho, Beni e Julinho.

Treinador: Francisco Branco

Cartões Amarelos: Serginho (30’), Agostinho (45’), Nené (73’), Pedro Campos (88’), Alberto (89’), Pedro Rui (90’+1’) e João Nuno (90’+3’).