Final dramático de época num campeonato surreal…

Final dramático de época num campeonato surreal…

A sina dos vizelenses repetiu-se um ano depois. Desta vez, a eliminação acabou por ter contornos mais dramáticos, porque o FC Vizela até conseguiu marcar os três golos que precisava de fazer à entrada para a segunda mão, porém sofreu um que não fazia parte dos planos.

Perante cerca de quatro mil espectadores, que brindaram a equipa azul e branca com coreografia especial e muito apoio, o encontro com o Vilafranquense começou com um grande susto.

Aos 2’, João Faria escorregou no momento em que se preparava para controlar o esférico e este ficou à mercê de Gustavo Tocantins que, isolado, viu Rafa, a meias com o poste, evitar o pior.

A resposta do FC Vizela foi pronta e, a partir daí, praticamente se assistiu a um jogo de sentido único com sucessivas jogadas ofensivas merecedoras de outro desfecho.

Leandro Souza (6’ e 8’), Fall (7’), Zé Valente (12’) e André Soares (15’), este após grande slalom, foram os vizelenses que mais perto do golo estiveram.

Contudo, na segunda aproximação do adversário à área vizelense, aconteceu o lance que viria a ser determinante para o rumo dos acontecimentos. João China encontrou espaço e lançou uma bola rasteira para João Vieira, que apareceu fulgurante a captá-la e a levantá-la sobre Rafa, numa execução conseguida de ângulo apertado.

Tremendo balde de água gelada sobre o entusiasmo dos adeptos, que transformou a já difícil missão do FC Vizela numa missão heroica.

O certo é que os pupilos de Rui Amorim nunca deixaram de lutar e de procurar golos. Leandro Borges, aos 35’, cabeceou às malhas laterais, após cruzamento de André Soares.

Praticamente sobre o intervalo, Leandro Souza foi carregado na área por Marco Grilo e, da marca dos onze metros, Zé Valente restabeleceu a igualdade no marcador.

A etapa complementar começou com o FC Vizela totalmente apostado no ataque. A história deste período podia ter sido completamente diferente caso André Soares tivesse acertado em cheio no esférico. O “camisola 7”, que fez um grande jogo, foi bem assistido por Fall e ficou em soberana posição para operar a cambalhota no resultado, mas o remate saiu próximo do poste.

Logo a seguir, Lucas Morellato procurou criar perigo, mas Weliton foi imperial no corte, relançando os colegas para o ataque. No espaço de um minuto, mais duas hipóteses para o FC Vizela.

Aos 57’, Leandro Souza por pouco não chegou ao cruzamento de Koffi e Zé Valente rematou às mãos de Nélson Pinhão, após cruzamento de Vitinho.

Em cima da hora de jogo, nova grande penalidade sobre Leandro Souza ficou por assinalar e, pouco depois, aos 63’, o mesmo jogador endossou para Fall atirar por cima. Uma perdida flagrante, que levou ao desespero todos os vizelenses presentes no estádio e próprio atleta.

O caudal ofensivo do FC Vizela era tremendo, mas continuava a faltar o essencial: o golo. Entre livres e cruzamentos, os azuis e brancos tentaram de todas as formas, mas parecia que existia algo sobrenatural a desviar tantas bolas do sítio certo. Exemplo disso, foi um remate de Leandro Souza, aos 82’, cuja bola sofreu um desvio no último momento.

Os tão desejados golos começaram a surgir quando o tempo já escasseava. Fall, em dose dupla, deu a vitória ao FC Vizela por 3-1, igualando o Vilafranquense no agregado (3-3), mas tal não valeu o apuramento, devido ao golo sofrido à passagem da meia hora.

Um final dramático, que teve uma carga mais pesada, sobretudo para aqueles que transitaram da época anterior, na qual viveram desilusão idêntica.

De referir que, além do FC Vizela, todas as equipas geograficamente situadas mais a norte do país terminaram a sua participação na prova, pois AD Fafe, Sporting de Espinho e Lusitânia de Lourosa foram eliminados deste campeonato, cujos moldes surreais penalizam severamente a regularidade das equipas ao longo de um ano inteiro. Mudanças urgentes reclamam-se para terminar de vez com este play-off de subida à 2.ª Liga completamente absurdo.

 

FICHA DE JOGO

FC Vizela 3-1 Vilafranquense

Local: Estádio do FC Vizela (Vizela)

Árbitro: João Mendes (AF Santarém)

Assistentes: Manuel João e Nélson Andrade

4.º Árbitro: Paulo Raposo (AF Santarém)

FC Vizela: Rafa; Koffi, Weliton (C), João Faria (Correia, 73’) e Kaká; João Oliveira, André Soares, Zé Valente (Panin, 60’) e Leandro Borges (Vitinho, 53’); Fall e Leandro Souza.

Suplentes não utilizados: Cajó, Diaby, Zag e Igor Rocha.

Treinador: Rui Amorim

Vilafranquense: Nélson Pinhão; Tiago Mota, Diogo Izata (C) e João Freitas; Marco Grilo, Ragner (Jorge Bernardo, 79’), Kelvin Medina, Lucas Morellato (Miguel Lourenço, 90’+4’) e João China; João Vieira (Wilson Januário, 46’) e Gustavo Tocantins.

Suplentes não utilizados: Rodrigo Moura, Paulo Antunes, Igor Vilella e Pedro Garcia.

Treinador: Filipe Moreira

Golos: João Vieira (30’), Zé Valente (45’+1’, g. p.) e Fall (90’ e 90’+8’).

Cartões Amarelos: João China (28’), Gustavo Tocantins (43’), Marco Grilo (44’), Zé Valente (45’+1’), João Oliveira (51’), João Faria (61’), João Freitas (72’) e Lucas Morellato (81’).